Remo agarra-se à onda; Atlético-PR procura golos perdidos
O 18.º recebe o 5.º com a confiança trocada: o Remo chega lançado, o Atlético-PR não marca há quatro jogos.
O 18.º recebe o 5.º com a confiança trocada: o Remo chega lançado, o Atlético-PR não marca há quatro jogos.
O Atlético-PR marcou só um golo nos últimos quatro jogos, com três 0-0 pelo meio. Mesmo com o Remo a produzir, o défice ofensivo visitante puxa o total para baixo da linha dos 2,5.
A tabela diz uma coisa, o momento diz outra. O Remo é 18.º, com 15 pontos em 16 jornadas e a zona de despromoção colada às botas, mas chega a esta ronda com três vitórias nos últimos quatro jogos entre Brasileirão e Copa do Brasil. Do outro lado, o Atlético Paranaense ocupa o 5.º lugar com 24 pontos e a Libertadores no horizonte, só que não vence há quatro encontros e somou três empates sem golos nesse intervalo. É o tipo de jogo em que a classificação engana e a forma manda.
O caminho recente do Remo é coerente. Bateu o Chapecoense fora (3-2), eliminou o Bahia na Copa do Brasil com triunfos nas duas mãos (3-1 e 2-1) e empatou em casa com o Palmeiras (1-1). São números de uma equipa que marca com regularidade — 19 golos na prova — mas que continua a sofrer demais, 27 sofridos, o pior registo entre os candidatos a fugir da descida. A leitura é simples: o Remo joga jogos abertos e tem ganho a queda de braço pelo golo, não pelo controlo.
O Atlético Paranaense vive precisamente o reverso. Em quatro jogos recentes marcou um único golo, frente ao Flamengo em casa, e amealhou três 0-0 e uma derrota por 0-1 com o Vasco. A produção ofensiva ainda assenta em K. Viveros, com 8 golos em 15 jornadas, e em S. Mendoza, com 5 em 16; juntos, somam treze dos vinte e um golos da equipa no campeonato. Quando estes dois não desbloqueiam, o Furacão tem evidente falta de soluções pelo corredor central — e a estatística defensiva (17 sofridos) confirma uma identidade conservadora que se tem revelado insuficiente longe de casa.
Sem onzes publicados, há que olhar para os indícios. No Remo, Alef Manga continua a ser a referência ofensiva, com 4 golos e 3 assistências, e Zé Ricardo carrega o meio-campo — também os cinco cartões amarelos e o vermelho do médio sugerem um perfil de ruptura, peça importante num jogo em que a equipa da casa terá de pressionar alto para não ficar refém da experiência adversária. No Atlético-PR, Arthur Dias e B. Zapelli lideram a contagem disciplinar, sinal de uma linha defensiva que tem entrado em fricção constante; a chave volta a ser se Viveros encontra espaço entre linhas.
O contexto aponta para um jogo trabalhado, com o Remo a ter de assumir iniciativa em casa e o Atlético-PR confortável a esperar. O problema do Furacão é que, neste momento, esperar tem custado pontos: nos últimos quatro jogos somou apenas dois golos marcados. O Remo, em contrapartida, marcou em todos os últimos quatro encontros oficiais. A combinação favorece o cenário de ambas marcarem, mas é mais forte ainda o sinal de que o total de golos pode ficar contido — três dos últimos quatro do Atlético-PR terminaram com menos de 2,5 golos, e o Remo só ultrapassou essa fasquia nos jogos da Copa.
O palpite editorial vai para o Under 2,5. Não pela natureza ofensiva do Remo — que existe — mas pelo estado actual do ataque visitante, que entrou em modo de poupança e não tem dado sinais de saída. Se o Atlético-PR continuar a produzir pouco, o Remo terá de gerir uma vantagem mínima ou contentar-se com um empate magro. Em qualquer dos cenários, o marcador tende a ficar curto.
Vitória do Atlético-PR por 2-1 no Mangueirão, com o intervalo a chegar empatado a uma bola. O Remo segurou a paridade até ao descanso, mas a segunda parte foi monopolizada pelo Furacão, que rompeu o nó ofensivo que arrastava há quatro jogos e levou os três pontos num encontro que ficou ainda mais cumprido pela expulsão na equipa da casa.
Os dados pós-jogo desenham um cenário inequívoco. O Atlético-PR teve 56% de posse, 16 remates contra 3, 9 à baliza contra 2 e 10 cantos contra 3. É uma diferença territorial e produtiva esmagadora, que contradiz frontalmente a tese de um Furacão em modo de poupança ofensiva. A equipa visitante reencontrou o caminho da baliza com volume e perigo, e os números mostram que o 2-1 até pecou por escasso face ao desequilíbrio de oportunidades criadas.
A leitura disciplinar reforça o retrato. Quatro amarelos para o Atlético-PR e um amarelo mais um vermelho para o Remo, que jogou parte do encontro reduzido a dez. A inferioridade numérica explica em parte a passividade ofensiva da equipa da casa — apenas dois remates enquadrados em todo o jogo —, mas o desequilíbrio já era claro antes desse momento, pelo simples facto de o Furacão ter recuperado capacidade de chegada que parecia perdida. O Remo manteve o registo de marcar em todos os jogos recentes, mas pouco mais conseguiu somar.
O palpite `under_2_5` falhou. O marcador fechou em 1-2, três golos, exactamente em cima da linha que a tese editorial procurava evitar. A ideia de um Atlético-PR limitado a um golo por encontro caiu por terra logo no primeiro tempo, e a segunda parte confirmou que o problema ofensivo do Furacão era mais conjuntural do que estrutural. A confiança de 6/10 reflectia já alguma reserva, mas o sinal contrário acabou por ser mais forte: assim que o ataque visitante se reactivou, o total de golos saltou a linha sem grande resistência. Perda assumida.
Total de golos · loss · resolução automática 2h após o final