Remo-São Paulo: o aflito em casa contra um visitante em queda
O 19.º recebe o 6.º, mas a leitura não é tão linear quanto a tabela sugere: o São Paulo chega de quatro jogos sem vencer fora.
O 19.º recebe o 6.º, mas a leitura não é tão linear quanto a tabela sugere: o São Paulo chega de quatro jogos sem vencer fora.
Remo marcou nos últimos cinco jogos e o São Paulo também; ambas as defesas concedem com regularidade e o visitante perdeu os três últimos jogos fora.
A tabela aponta para um favoritismo claro do São Paulo, mas o estado em que cada equipa chega a esta jornada conta uma história diferente. O Remo, lanterna virtual da zona de despromoção, soma três vitórias nos últimos cinco jogos entre todas as competições e mostrou em Maio que sabe puxar pontos em casa. O São Paulo, esse, não vence há quatro encontros e perdeu os últimos três jogos disputados fora. Há aqui terreno para uma surpresa, ou pelo menos para um empate que vale ouro à equipa da casa.
Olhando para a forma, o contraste é evidente. Os paraenses bateram o Bahia na Taça, venceram fora em Chapecó e arrancaram um empate ao Palmeiras em casa antes de cederem por 1-2 frente ao Atlético Paranaense na última jornada. É um conjunto que marca — 20 golos em 17 jogos no campeonato — mas que também sofre demasiado, com 29 golos consentidos. A linha defensiva é o calcanhar de Aquiles, e perante o ataque tricolor isso pesa.
Do lado de São Paulo, o quadro é de erosão. Empate com o Botafogo em Morumbi, empate caseiro na Sul-Americana, derrota em Tricórdia frente ao Fluminense, eliminação da Copa do Brasil em Juventude por 1-3 e derrota com o Corinthians por 2-3. Cinco jogos, uma única vitória, defesa permeável. Os 19 golos sofridos em 17 jornadas não são proibitivos, mas as exibições recentes mostram uma equipa que concede com regularidade — e que, quando sai do Morumbi, tem encaixado dois ou três golos com frequência preocupante.
A boa notícia para Hernán Crespo, se é que o treinador resiste a este ciclo, é o poder de fogo. Luciano e Calleri somam seis golos cada, Ferreira leva quatro em apenas dez jogos. É um trio que praticamente garante chegadas claras à baliza adversária. O problema é que o São Paulo raramente fecha jogos com a baliza intacta, e o Remo tem em Alef Manga um avançado que produz — quatro golos e três assistências em 16 partidas é um rendimento decente para uma equipa do fundo da tabela.
Sem onzes publicados, a leitura táctica fica suspensa, mas é razoável esperar duas equipas que assumem riscos: o Remo porque precisa desesperadamente de pontos para fugir à descida, o São Paulo porque a janela para apanhar o pelotão do G4 começa a fechar e um empate em terreno do penúltimo classificado seria entendido internamente como mais um sinal de alarme. E. Díaz, com seis amarelos em doze jogos, é um foco de tensão a vigiar — qualquer descontrolo defensivo facilita a vida ao ataque do Remo.
O cenário pede golos. Remo marcou em todos os últimos cinco jogos disputados; São Paulo também marcou em todos os últimos cinco. Quando duas equipas que vivem do golo se cruzam, com defesas que não inspiram confiança, a hipótese de ambas as redes balançarem é a linha de menor resistência. Acrescente-se a urgência pontual do Remo em casa e o desconforto do São Paulo longe do Morumbi, e o ambiente está montado para um jogo aberto.
O risco existe — basta uma noite inspirada de Rafael na baliza tricolor, ou uma entrada agressiva do Remo que resulte em vermelho, para o jogo travar. Mas o peso da evidência recente, dos dois lados, aponta para um encontro em que nenhuma das balizas fica a zeros.
Ambas marcam · pending · resolução automática 2h após o final