Coritiba reencontra o caminho; Bahia chega em queda livre
Empatados a 23 pontos, os dois conjuntos chegam ao Couto Pereira em momentos opostos de forma.
Empatados a 23 pontos, os dois conjuntos chegam ao Couto Pereira em momentos opostos de forma.
O Coritiba vem de golear o Santos por 3-0 e joga em casa; o Bahia soma quatro jogos sem vencer e três derrotas no período, com produção ofensiva quase limitada a Luciano Juba.
A tabela engana. Coritiba e Bahia chegam à 17.ª jornada separados apenas pelo critério de desempate — ambos com 23 pontos, ambos com 21 golos marcados e 19 sofridos. Mas o retrato congelado da classificação esconde duas trajectórias divergentes: o Coxa vem de uma goleada por 3-0 sobre o Santos no Brasileirão, enquanto o tricolor baiano não vence há quatro jogos e somou três derrotas nesse intervalo. É essa assimetria de momentum, e não os pontos, que define o jogo no Couto Pereira.
A forma recente do Coritiba lê-se WDLLW, mas a leitura linear engana. A derrota foi na Copa do Brasil, frente ao mesmo Santos que viria a ser desmontado quatro dias depois no campeonato. O empate caseiro com o Internacional (2-2) mostrou capacidade ofensiva; o triunfo em Vila Belmiro confirmou que a equipa de Curitiba sabe ser pragmática fora de portas. Em casa, com a torcida a empurrar, o registo de seis vitórias em 16 jornadas ganha outra densidade.
Do lado oposto, o Bahia atravessa o pior período da época. Quatro jogos sem vencer, com a marca DLDDL a denunciar fragilidade defensiva e falta de soluções ofensivas além de Luciano Juba. O lateral é, paradoxalmente, o melhor marcador da equipa com sete golos — um sintoma claro de que a produção dos avançados secou. As derrotas recentes contra Remo (duas vezes) e Cruzeiro, somadas ao empate caseiro com o Grémio, mostram uma equipa sem identidade definida fora de casa e vulnerável quando lhe exigem reacção.
Sem onzes publicados, a antevisão táctica fica em aberto, mas os indicadores apontam para um Coritiba apoiado no eixo Breno Lopes-Pedro Rocha à frente, com Josué (seis assistências) a alimentar as transições e Lavega a equilibrar o meio-campo. Atenção, contudo, à carga disciplinar: Lavega soma três amarelos e Jacy já viu vermelho esta época. No Bahia, a dependência de Juba é evidente — o segundo nome da lista de marcadores fornecida, Acevedo, ainda não marcou em 14 jornadas e lidera a tabela de cartões com cinco amarelos, sinal de uma intervenção mais ríspida do que criativa.
O contexto adicional é relevante: ambos os conjuntos estão em zona de qualificação para a Sul-Americana, o que retira pressão imediata mas mantém a urgência competitiva. Para o Coritiba, vencer aproxima-o do pelotão da frente; para o Bahia, perder seria afundar-se numa crise que já assoma. A diferença está em quem entra com confiança fresca e quem entra a precisar de provar.
Os números globais são quase gémeos — 21 golos marcados, 19 sofridos, ambos com defesas permeáveis. Isso normalmente sugeriria um jogo aberto, com golos para os dois lados. Mas a leitura editorial pondera outro factor: o Bahia marcou um golo em cada um dos últimos quatro jogos e, ainda assim, perdeu três. Ou seja, marca, mas não chega. O Coritiba em casa, recém-saído de uma goleada, tem argumentos para impor ritmo desde cedo e capitalizar a fragilidade defensiva visitante.
O cenário muda se Breno Lopes não estiver em condições — é dele que sai quase um terço dos golos do Coxa. E uma expulsão precoce, sempre possível dada a carga disciplinar de ambos, alteraria a equação. Mas, com tudo a favor da equipa da casa em momento de forma, ambiente e oposição em queda, a aposta editorial inclina-se para o lado de Curitiba.
Vitória do Coritiba por 3-2, num jogo que precisou de viragem para confirmar a tese. O Bahia foi para o intervalo a vencer por 0-1, fiel ao guião recente de marcar primeiro sem conseguir sustentar, e o Coxa resolveu a partida na segunda parte, com três golos a inverter o marcador no Couto Pereira. Pelo meio, um Bahia que dominou a posse mas não conseguiu transformar volume em perigo real.
A leitura estatística é cristalina e desmente quem se ficou pelo resultado curto. O Bahia teve mais bola (56% contra 44%) e até rematou mais uma vez (14-13), mas acertou apenas um remate à baliza em todo o jogo. Um. O Coritiba, em sentido inverso, fez sete remates enquadrados em treze tentativas — uma taxa de eficácia ofensiva que explica os três golos. O tricolor baiano construiu a ilusão de jogo a partir dos cantos (6-3) e da posse, mas a finalização continua a ser o problema crónico que já se arrastava das quatro jornadas anteriores.
A indisciplina visitante também conta. Três amarelos para o Bahia, zero para o Coritiba, num jogo em que o Coxa não precisou de recorrer à falta porque controlou a transição. É o tipo de assinatura que confirma uma equipa em confiança a jogar contra uma equipa a tentar segurar o que não consegue construir. A viragem no segundo tempo expõe, aliás, a fragilidade mental do Bahia neste ciclo: vantagem ao intervalo, dois golos sofridos depois, e a sequência sem vencer estica-se para cinco jogos.
O palpite `home_win` confirmou-se. A tese editorial — Coritiba com momentum recente, Bahia em queda livre e dependente de Juba, ambiente do Couto Pereira a empurrar — sobreviveu inclusive ao susto do intervalo. Confiança de 6/10 que se traduz em retorno: o sinal de alerta era precisamente uma eventual reacção atrasada do Coxa, e ela chegou. O Coritiba sobe na tabela e separa-se do pelotão dos 23 pontos; o Bahia fica em zona desconfortável, com a crise a deixar de ser ameaça para passar a realidade instalada.
Vencedor · win · resolução automática 2h após o final