Uma odd — em português europeu, cota — é o preço que um operador atribui a um resultado. Lê-se em dois planos ao mesmo tempo: é uma estimativa de probabilidade que o operador faz daquele desfecho e é também a margem comercial que cobra para sustentar o negócio. Não é uma promessa do resultado. É um preço.
Esta peça é estritamente didáctica. Serve para que o leitor reconheça e descodifique as cotas e os mercados que encontra na imprensa desportiva. Não recomenda apostar, não publica cotas concretas e não compara operadores.
Em Portugal, o formato padrão é o decimal. Uma cota de 2.50 significa que, por cada euro apostado, o retorno total em caso de acerto seria de 2,50 euros — ou seja, um lucro líquido de 1,50 euros sobre a unidade investida. O formato fraccional, comum na imprensa britânica, expressa o mesmo de outra forma: 6/4 significa um ganho de 6 por cada 4 apostados, o que equivale precisamente à decimal 2.50. O formato americano (+150, -200) aparece sobretudo em publicações norte-americanas e é raro entre nós; vale a pena reconhecê-lo apenas como referência de leitura internacional.
A partir da cota decimal calcula-se directamente a chamada probabilidade implícita: basta dividir 1 pela odd e multiplicar por 100. Uma cota de 2.00 implica 50%. Uma cota de 2.50 implica 40%. Uma cota de 1.50 implica aproximadamente 66,7%. É importante reter que esta probabilidade implícita não é a probabilidade real do evento. É a probabilidade que o operador atribui ao resultado depois de incorporar a sua margem comercial.
Para perceber a margem, imagine-se um lançamento de moeda perfeitamente justo. Sai cara ou coroa com 50% de probabilidade cada. Num mercado teoricamente equilibrado, ambas as cotas deveriam ser 2.00, e a soma das probabilidades implícitas daria exactamente 100%. Em mercados reais, encontramos antes algo como 1.90 e 1.90 — cuja soma de probabilidades implícitas é 105,3%. Esses 5,3% que excedem os 100% "justos" são a margem do operador, o chamado *overround*. Quanto maior a margem, pior é o preço oferecido ao apostador. Em mercados líquidos, como as grandes ligas europeias, a margem situa-se tipicamente entre 2% e 5%. Em mercados menos seguidos, pode ultrapassar facilmente os 10%.
O mercado mais antigo e mais lido é o 1x2, ou resultado final ao fim dos 90 minutos. O "1" representa a vitória da equipa da casa, o "X" o empate e o "2" a vitória da equipa visitante. Convém sublinhar uma regra que confunde leitores iniciados: o 1x2 resolve-se ao fim do tempo regulamentar acrescido dos descontos, e não considera prolongamento nem grandes penalidades. Numa eliminatória a duas mãos com prolongamento, o 1x2 do jogo individual fixa-se nos 90 minutos.
O handicap asiático existe para tornar interessantes jogos com favorito claro, em que o 1x2 puro daria uma cota muito baixa do lado forte e pouco informativa. Funciona atribuindo à equipa favorita uma desvantagem fictícia no marcador, e à equipa menos cotada uma vantagem fictícia equivalente. As linhas habituais são -1.5, -1, -0.5, +0.5, +1, +1.5. Um handicap de -1.5 sobre a equipa A significa que, para efeitos da aposta, ela começa o jogo a perder por 1,5 golos: precisa de vencer por dois ou mais para resolver positivamente esse lado do mercado. A linha 0, por vezes designada *draw-no-bet*, devolve o valor apostado em caso de empate. As linhas quebradas em quartos (.25 e .75) dividem a aposta em duas metades — por exemplo, um handicap -0.5/-1 reparte o valor entre uma metade em -0.5 e outra em -1, com resoluções independentes.
O total de golos — também conhecido como over/under — não se interessa por quem vence, mas por quantos golos serão marcados no conjunto do encontro. A linha clássica é 2.5. "Over 2.5" resolve-se positivamente se o jogo terminar com três ou mais golos; "Under 2.5" se terminar com dois ou menos. As linhas com .25 e .75 dividem a aposta de forma análoga ao handicap asiático.
O mercado ambas as equipas marcam, abreviado BTTS (de *both teams to score*), é independente do resultado final. "Sim" exige que cada uma das equipas marque pelo menos um golo; "Não" exige que pelo menos uma das equipas termine o jogo sem marcar. Pode haver vitória clara e BTTS "Sim", tal como pode haver empate sem golos e BTTS "Não".
Dito isto, importa fixar o que esta peça não é. O *Meus Palpites* é uma publicação editorial independente. Não tem ligações comerciais a operadores, não recomenda casas de apostas, não publica cotas em tempo real nem sugere apostas concretas. Esta página existe para que o leitor saiba ler o que encontra na imprensa desportiva — não para o convidar a jogar.
Apostar envolve risco financeiro real. Quem reconhecer em si próprio sinais de comportamento problemático com o jogo — perda de controlo sobre o tempo ou o dinheiro gasto, perseguição de perdas, esconder a actividade de familiares — pode recorrer à Linha SOS Jogo (213 950 911), gratuita e confidencial, e à informação disponível em jogoresponsavel.pt. A regulação do jogo online em Portugal cabe ao Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos do Turismo de Portugal, cuja informação oficial pode ser consultada em srij.turismodeportugal.pt. Apenas operadores licenciados pela SRIJ estão autorizados a oferecer apostas desportivas online a partir de território português.