Santos encurralado recebe um San Lorenzo que não perde
Quarto classificado e sem vitórias no grupo, o Santos joga em casa contra o líder invicto. A matemática aperta na Vila.
Quarto classificado e sem vitórias no grupo, o Santos joga em casa contra o líder invicto. A matemática aperta na Vila.
San Lorenzo tem apenas 2 golos sofridos em 4 jornadas e aceita bem o empate fora; Santos marcou só 3 em 4 e vem de 0-3. O perfil dos jogos aponta para poucos golos.
A quinta jornada do grupo apanha o Santos no pior momento possível. Quarto classificado com apenas 3 pontos em quatro jornadas, sem qualquer vitória na prova continental, o conjunto paulista recebe um San Lorenzo que lidera isolado com 6 pontos e ainda não conheceu o sabor da derrota nesta fase. A diferença é de três pontos, mas pesa mais do que isso: para o Santos, perder em casa é praticamente despedir-se dos playoffs.
O retrato recente da equipa da casa é desconcertante. Três empates seguidos na Sul-Americana e Copa do Brasil, antes de uma derrota pesada por 0-3 frente ao Coritiba, em pleno Brasileirão, há três dias. É um resultado que estilhaça qualquer ilusão de estabilidade defensiva e expõe um problema ofensivo crónico: três golos marcados em quatro jogos da fase de grupos, contra quatro sofridos. A forma DDDL diz tudo. A vitória por 2-0 sobre o RB Bragantino, a 10 de Maio, parece já longínqua, e o triunfo na Copa do Brasil frente ao mesmo Coritiba que dias depois lhe aplicaria três sem resposta acrescenta uma camada de imprevisibilidade que raramente joga a favor de quem precisa de pontos.
Do outro lado, o San Lorenzo chega com menos rodagem recente — apenas o nulo em Cuenca a 6 de Maio aparece no registo —, mas com argumentos sólidos. Quatro jogos, uma vitória e três empates, e sobretudo dois golos sofridos em quatro encontros. É a defesa mais fiável do agrupamento e tem sido o pilar de uma campanha em que a equipa argentina raramente se expõe. A forma DDWD não impressiona pelos triunfos, impressiona pela ausência de derrotas. E numa fase de grupos curta, não perder vale quase tanto como vencer.
Sem onzes publicados e sem dados de marcadores ou de cartões para qualquer dos lados, o exercício táctico fica limitado. Mas o padrão dos jogos do San Lorenzo na prova é claro: blocos médio-baixos, transições cautelosas, aceitação serena do empate fora de casa. É um guião que se ajusta bem ao momento — visita um adversário pressionado, que vai ter de arriscar mais do que aquilo a que está habituado, e que mostrou frente ao Coritiba como se desorganiza quando o jogo lhe foge.
O Santos terá de propor. Esse é o paradoxo desta noite na Vila: a equipa com menos confiança é obrigada a tomar a iniciativa contra o opositor mais bem instalado defensivamente do grupo. Historicamente, esse tipo de encontro tende a produzir poucos golos e muitas interrupções, sobretudo quando uma das equipas sente que um ponto serve perfeitamente os seus interesses.
A leitura editorial vai por aí. O San Lorenzo tem 0,5 golos sofridos por jogo nesta fase, o Santos não passa de 0,75 marcados, e o anterior duelo entre estas equipas — ainda que sem registo directo na base — encaixa no perfil de jogo travado e desconfiado típico da Sudamericana em momentos decisivos de grupo. O cenário de under aparece como o palpite mais ancorado nos números disponíveis. Um 1-1 ou um 0-1 não surpreenderia ninguém; um festival de golos, sim.
Para o Santos, é a noite em que precisa de redescobrir-se ofensivamente sem se desfazer atrás. Para o San Lorenzo, basta continuar a fazer o que tem feito. E o que tem feito é fechar a porta.
Empate a duas bolas na Vila, num jogo que prometeu seguir o guião defensivo previsto e acabou a desmenti-lo por completo. Ao intervalo, o Santos vencia por 2-0 e parecia ter encontrado a noite de reconciliação ofensiva que andava a perseguir há um mês. A segunda parte trouxe a reacção do San Lorenzo, que recuperou a desvantagem e levou de Vila Belmiro o ponto que lhe basta para continuar a comandar o grupo.
Os números pós-jogo dizem muito sobre a estranheza do encontro. A posse dividiu-se de forma equilibrada (47-53 favorável aos argentinos), com o Santos a rematar mais (8-6) e a obrigar a mais defesas (4-3 em remates enquadrados). Só um canto somado pela equipa da casa, nenhum pelo San Lorenzo — sinal de um jogo com poucas situações de pressão sustentada nas áreas. A leitura é a de uma partida em que o Santos foi mais agudo do que dominador, capitalizou a sua primeira parte e depois geriu mal o que tinha construído. O San Lorenzo, fiel ao perfil de equipa que aceita o empate fora, não precisou de muito para corrigir a noite: poucos remates, mas suficientes.
Para o Santos, o sabor é amargo. Liderar 2-0 ao intervalo contra o melhor defesa do grupo era, no contexto da prova, o cenário de sonho — e ainda assim a equipa sai sem vencer pela quinta jornada consecutiva. Para o San Lorenzo, mantém-se a invencibilidade e o estatuto de candidato mais consistente. A defesa, antes apontada como pilar, levou dois golos pela primeira vez na fase de grupos, mas a equipa demonstrou outra qualidade que ainda não tinha exibido: capacidade de reacção quando o plano corre mal.
O palpite `under_2_5` falhou. Houve quatro golos no marcador e o mercado resolveu-se logo na primeira parte. A tese assentava no perfil travado dos jogos do San Lorenzo e na esterilidade ofensiva do Santos — dois pressupostos que o jogo desmontou em quarenta e cinco minutos. Confiança de 7/10 que não se confirmou; o cenário de festival, aqui considerado improvável, foi precisamente o que se viu.
Total de golos · loss · resolução automática 2h após o final