Oviedo despede-se da elite com o Alavés a chegar lançado
Despromovidos e sem rede, os asturianos recebem um Alavés que vem de bater o Barcelona e parece o mais perigoso dos visitantes possíveis.
Despromovidos e sem rede, os asturianos recebem um Alavés que vem de bater o Barcelona e parece o mais perigoso dos visitantes possíveis.
Equipa com mais qualidade ofensiva, melhor momento e melhor estrutura defensiva, a visitar um Oviedo já despromovido e com 57 golos sofridos. Os números convergem todos para o lado visitante.
O Carlos Tartiere recebe a última jornada com pouco em jogo na superfície e muito por baixo dela. O Oviedo é 20.º, com 29 pontos, e a despromoção à LaLiga2 está confirmada há semanas. Do outro lado, o Alavés instalou-se no 14.º lugar, com 43 pontos, longe do perigo mas a viver um final de época bem mais animado do que se previa. É um jogo de despedidas para uns e de confirmação de identidade para outros.
A leitura da forma recente reforça o contraste. Os asturianos chegam com LLDLL, somando a derrota por 0-2 em casa do Real Madrid na ronda anterior e prolongando uma série em que os golos marcados continuam a faltar — apenas 26 em 37 jornadas, contra 57 sofridos, números que explicam por si só a tabela. O Alavés, esse, traz WWDLW e, sobretudo, traz na bagagem o 1-0 ao Barcelona em Mendizorroza, há três dias. Não é um pormenor: uma equipa capaz desse resultado neste momento da época não viaja a Oviedo para cumprir calendário.
A leitura ofensiva também pende para o lado visitante. Toni Martínez leva 13 golos e três assistências em 36 jogos, Luciano Boyé soma 11 golos em 28 e Antonio Blanco regula o meio-campo com cinco contribuições directas e nove amarelos — sinal do tipo de presença que tem no corredor central. No Oviedo, Federico Viñas é praticamente solução única: nove golos em 33 jogos e, ao mesmo tempo, líder de cartões com seis amarelos e duas vermelhas. Quando o melhor marcador é também o que mais se ausenta por disciplina, há um problema estrutural.
Guillermo Almada confirma um 4-2-3-1 com Moldovan na baliza, uma linha de quatro com Ahijado, Costas, Dani Calvo e Javi López, dupla Fonseca-Colombatto a equilibrar e Santi Cazorla como referência criativa atrás de Viñas. É um onze experiente, mas é também um onze que tem encaixado golos com regularidade preocupante: uma média superior a 1,5 sofridos por jornada ao longo de toda a época. Quique Sánchez Flores responde com um 3-5-2 — Sivera; Tenaglia, Koski, Parada; Ángel Pérez e Rebbach nos corredores; Guridi, Blanco e Denis Suárez a triangular no meio; Diabaté e Toni Martínez na frente. É um sistema desenhado para sufocar a saída adversária e atacar o espaço.
O jogo tem, por isso, dois sinais opostos a tirar. O primeiro é que o Oviedo, já despromovido, joga em casa com aquilo que sobrou de orgulho e perante o seu público; tende a oferecer-se mais do que talvez devesse. O segundo é que esta versão do Alavés, com Toni Martínez e Boyé num momento goleador e com a confiança vinda de Mendizorroza, tem argumentos para resolver cedo. Os 43 golos marcados pelos visitantes contra os 26 dos da casa, e os 57 sofridos pelo Oviedo, apontam todos para o mesmo lado.
O palpite editorial vai na linha mais defensável: vitória do Alavés. Não pelo simbolismo do triunfo recente sobre o Barcelona, mas pela soma fria — equipa com mais qualidade ofensiva, melhor momento, melhor estrutura defensiva relativa e a visitar uma equipa com a cabeça já noutra divisão. Munuera Montero apita um encontro em que a tensão competitiva está, paradoxalmente, quase toda do lado de quem vem de fora.
Vitória do Alavés por 0-1 no Carlos Tartiere, num jogo resolvido cedo: ao intervalo já estava feito o marcador que se manteve até final. Os visitantes despacharam o assunto no primeiro tempo e geriram a vantagem mínima na etapa complementar, sem dar espaço para o Oviedo encontrar a reacção que o público pedia na despedida da elite.
O resumo estatístico é, no entanto, particular. O Oviedo teve 70% de posse contra 30% e dominou os cantos por 5-2, mas a leitura desses números pinta-se rápido com outro dado: zero remates à baliza. Sete tentativas, nenhuma enquadrada. O Alavés, com a mesma contagem de sete remates, fez um à baliza — e foi quanto bastou. É a tradução fria daquilo que os asturianos foram durante toda a época: equipa que vê bola sem a transformar em perigo real, perante um adversário cirúrgico no aproveitamento das ocasiões.
A disciplina também denuncia o desgaste do lado da casa: três amarelos contra um, sinal de uma equipa a tentar travar transições com falta sempre que perdia a bola num bloco demasiado adiantado. O 3-5-2 de Quique Sánchez Flores cumpriu exactamente o que a tese previa — sufocar a saída adversária, recuperar e atacar o espaço. Os 70% de posse do Oviedo foram, em larga medida, posse estéril a meio-campo, com o Alavés confortável a fechar linhas e a esperar pelo erro.
Para o Alavés, o triunfo dá sequência ao 1-0 ao Barcelona da ronda anterior e fecha a época com uma identidade competitiva clara. Para o Oviedo, despede-se da Primeira como entrou nesta recta final: com falta de discernimento na fase ofensiva e pouca capacidade de criar perigo enquadrado.
O palpite `away_win` confirmou-se. A tese editorial assentava em três pilares — mais qualidade ofensiva visitante, melhor momento e estrutura defensiva relativa superior — e foi exactamente assim que o jogo se desenrolou. Posse para um lado, eficácia para o outro, e os números pós-jogo a dar razão ao lado fora.
Vencedor · win · resolução automática 2h após o final