Celta recebe Levante com a Europa ainda por selar
Sextos classificados, os galegos jogam em Balaídos com a tranquilidade de quem está dentro, mas sem a folga de quem pode relaxar.
Sextos classificados, os galegos jogam em Balaídos com a tranquilidade de quem está dentro, mas sem a folga de quem pode relaxar.
A defesa galega sofreu 48 golos e o Levante chega de marcar dois ao Mallorca, com Carlos Espí em ritmo de 10 golos em 24 jogos. Ambos os ataques têm argumentos.
A 36.ª jornada coloca frente a frente duas equipas em momentos distintos da classificação, mas ambas com algo concreto para resolver. O Celta de Vigo recebe o Levante na condição de sexto classificado, com 51 pontos somados em 37 jornadas, posição que vale acesso à fase de liga da Europa League. A duas jornadas do fim, o conjunto galego controla o seu destino, mas a margem para o sétimo lugar não é confortável o suficiente para gerir resultados.
Do outro lado, o Levante chega ao 15.º posto com 42 pontos. Já não há flirt sério com a despromoção, mas também não há festa antecipada. A diferença entre as duas equipas, à entrada deste jogo, é mais de contexto do que de forma recente: os visitantes apresentam-se com cinco resultados marcados por três vitórias consecutivas seguidas de uma derrota e um empate, terminando essa série com o triunfo por 2-0 sobre o Mallorca em casa. É um Levante que ganhou hábitos.
O Celta, esse, trava uma luta consigo próprio. A sequência DLWWL diz tudo o que é preciso saber: irregularidade. As duas derrotas mais pesadas chegaram nos quartos-de-final da Europa League frente ao Freiburg, 3-0 fora e 1-3 em casa, eliminatória que drenou energia e confiança. Entre meio, ainda houve fôlego para empatar 1-1 em casa do Athletic Club, prova de que a equipa de Vigo continua competitiva quando o foco está afinado. O problema é a consistência defensiva: 48 golos sofridos em 37 jogos, contra 52 marcados, traduzem uma equipa que vive próxima do equilíbrio precário.
Os números do Levante reforçam essa leitura. 46 golos marcados e 59 sofridos é o perfil clássico de uma equipa que tem dificuldade em fechar jogos, mas que também não se inibe quando ataca. É um cenário ofensivo dos dois lados, ainda que por razões diferentes: o Celta porque precisa, o Levante porque é assim que costuma jogar.
Sem onzes publicados, a aposta vai para os homens de referência. Borja Iglesias é o pilar ofensivo do Celta, com 14 golos em 34 jogos, e também o jogador mais sancionado disciplinarmente do plantel — 7 amarelos. Quando ele entra em zonas de finalização, os galegos têm soluções. No Levante, Carlos Espí carrega o ataque com 10 golos em apenas 24 jogos, ratio que merece nota num conjunto que não vive de grandes números individuais. A arbitragem fica entregue a Adrian Cordero Vega.
A leitura editorial pende para um jogo aberto. O Celta precisa de três pontos para não chegar à última jornada dependente de outros, e em Balaídos o registo ofensivo costuma aparecer. O Levante, sem pressão classificativa imediata, joga libertado — e a sequência de três vitórias mostra que essa liberdade não se tem traduzido em desleixo. Os 107 golos somados entre as duas equipas ao longo da época (52 do Celta, 46 do Levante, 48+59 sofridos) sugerem que o under tem sido excepção.
O palpite vai para ambas marcam. Borja Iglesias garante presença ofensiva à equipa da casa, e o Levante chega com a confiança recente de quem marcou em quase todos os jogos do último mês. A defesa galega, fragilizada pelos 48 golos sofridos e ainda com o eco europeu nas pernas, dificilmente fechará a porta a um conjunto que vem de marcar dois ao Mallorca. É o cenário que melhor sintetiza o estado de espírito dos dois lados.
Vitória do Levante por 3-2 em Balaídos, num jogo que ao intervalo estava igualado a uma bola e que se decidiu na segunda parte a favor dos visitantes. Os galegos tinham na mão o controlo do destino europeu e saíram de campo com a sensação contrária: derrota em casa, em jornada decisiva, frente a um adversário sem pressão classificativa.
Sem estatísticas pós-jogo registadas, a leitura faz-se pelo marcador. Cinco golos num jogo entre uma equipa que já tinha sofrido 48 e outra que tinha sofrido 59 não é desvio à norma — é a confirmação do perfil. O 1-1 ao intervalo desenhava um cenário de equilíbrio, mas o Levante encontrou na segunda parte aquilo que o Celta não conseguiu travar: capacidade de chegar à área e converter. Os galegos ainda foram a três golos, o que sugere reacção, mas insuficiente para evitar a derrota.
O resultado é particularmente penalizador para o Celta na corrida europeia. A duas jornadas do fim, perder em casa pontos para um adversário do meio da tabela complica a gestão do sexto lugar e empurra a decisão para a última jornada, exactamente o cenário que se queria evitar. Para o Levante, é mais uma noite a confirmar que a libertação classificativa não trouxe desleixo — quatro vitórias em seis jogos, agora também fora de portas, contra um adversário a precisar.
A fragilidade defensiva apontada do lado galego materializou-se. Três golos sofridos em casa, num jogo em que era obrigatório fechar a porta, dão razão a quem leu o eco europeu da eliminação com o Freiburg como um peso ainda presente nas pernas. Do outro lado, o Levante mostra que o triunfo sobre o Mallorca não foi episódio isolado.
O palpite `btts_yes` confirmou-se sem margem para dúvida: cinco golos no marcador, dois do Celta e três do Levante, com ambas as equipas a marcar já ao intervalo. A tese de que nenhuma das defesas teria argumentos para uma noite de zero não podia ter sido validada de forma mais clara. Confiança 7/10 que se justifica no produto final.
Ambas marcam · win · resolução automática 2h após o final