Chapecoense joga a época em noventa minutos
Depois do 1-0 sofrido no Rio, a Chapecoense recebe o Botafogo obrigada a virar uma eliminatória contra um adversário em ritmo de cruzeiro.
Depois do 1-0 sofrido no Rio, a Chapecoense recebe o Botafogo obrigada a virar uma eliminatória contra um adversário em ritmo de cruzeiro.
A Chapecoense é obrigada a marcar para reagir ao 1-0 da primeira mão, mas tem sofrido em todos os jogos recentes; o Botafogo marcou em cada um dos últimos quatro.
A Arena Condá recebe a segunda mão de uma eliminatória que, na prática, já tem favorito definido. A Chapecoense entra em campo a perder por 1-0 da primeira mão, jogada a 21 de Abril no Rio de Janeiro, e precisa de bater um Botafogo que chega a Santa Catarina embalado por uma das melhores sequências recentes do calendário brasileiro. Para a equipa da casa, a Copa do Brasil é, provavelmente, a via mais curta para uma época com sentido; para o Botafogo, é mais uma frente aberta a gerir.
O contraste entre os dois momentos é gritante. O Botafogo soma três vitórias nos últimos quatro jogos em todas as competições, com destaque para o 3-1 ao Corinthians no fim-de-semana passado e para o 2-1 ao Racing Club, da Argentina, a contar para a Sul-Americana. O único deslize recente foi o empate 1-1 em casa do Atlético-MG, fora, num resultado que confirma a solidez do conjunto carioca também longe do Engenhão. Quatro jogos, dez golos marcados, quatro sofridos: números de equipa em controlo.
A Chapecoense vive precisamente o reverso. Não vence há, pelo menos, três jogos: caiu por 2-3 em casa frente ao Remo no último sábado, empatou 1-1 em Mirassol e perdeu por 1-0 no Rio, justamente diante deste Botafogo. O dado mais incómodo para o treinador da casa é defensivo. Sofreu em todos os três encontros recentes e levou cinco golos nos últimos dois para o Brasileirão. Numa eliminatória que obriga a arriscar, expor uma defesa que não consegue manter a baliza inviolada contra um Botafogo que marca com regularidade é o pior dos cenários.
A história directa também não ajuda. O 1-0 do Rio foi o único encontro registado entre as duas equipas no passado próximo e revelou um padrão familiar: o Botafogo controlou, marcou o suficiente e geriu. Com a vantagem no bolso, a equipa de Santa Catarina é forçada a sair da sua zona de conforto e a procurar o golo desde cedo, abrindo necessariamente espaços. Esses espaços são exactamente o tipo de cenário em que o ataque carioca, que marcou três ao Corinthians, costuma fazer estragos.
Sem onzes confirmados de parte a parte e sem dados disponíveis sobre marcadores ou cartões, a leitura tem de assentar no momento e no contexto da eliminatória. O Botafogo, à partida, não precisa de assumir riscos: pode esperar pelos erros de uma equipa obrigada a desequilibrar-se. A Chapecoense, por seu lado, joga em casa, com o factor Condá a empurrar, mas a sua defesa não tem dado garantias para sustentar uma noite de pressão alta. A arbitragem fica a cargo de D. Lacerda, num jogo que dificilmente se decidirá por episódios disciplinares.
O palpite editorial vai no sentido do golo de ambos os lados. A Chapecoense tem necessariamente de marcar para sonhar com a passagem, e tem mostrado capacidade ofensiva: dois golos ao Remo, um em Mirassol. Mas tem sofrido em todos os jogos recentes, e o Botafogo apresenta-se com pé direito no ataque, com pelo menos um golo em cada um dos últimos quatro jogos. O cenário típico desta segunda mão, com uma equipa obrigada a abrir-se e outra confortável em transição, alinha com um BTTS sim. A vantagem da eliminatória, essa, dificilmente muda de mãos.
Vitória da Chapecoense por 2-0 sobre o Botafogo na Arena Condá, com a eliminatória a ficar empatada no agregado depois do 1-0 do Rio. O essencial resolveu-se ainda antes do intervalo: a equipa da casa entrou ao ataque, materializou cedo e foi para o balneário já a vencer por dois golos de diferença. A segunda parte virou-se quase inteira para a gestão do resultado e para a resposta - ineficaz - do Botafogo.
A leitura estatística é, na verdade, um manifesto da imprevisibilidade do futebol. O Botafogo dominou a posse de bola (66% contra 34%), rematou o dobro das vezes (22-11) e teve mais do dobro de remates à baliza (8-3). Foi o conjunto carioca a empurrar o jogo, a fabricar oportunidades e a obrigar a defesa da Chapecoense - aquela mesma defesa apontada como ponto frágil - a trabalhar muito acima do esperado. O guarda-redes da casa terá tido a noite que justifica a inviolabilidade da baliza, porque o volume ofensivo contrário não autorizaria, à partida, este 2-0.
Do lado da Chapecoense, ficou a eficácia bruta: três remates enquadrados, dois golos. Foi por aí que se desfez a tese da antevisão. A equipa de Santa Catarina não precisou de se expor para marcar, ou se se expôs, o Botafogo não soube castigar no contra-ataque que se previa letal. Os cinco amarelos da equipa da casa, contra apenas um da visitante, traduzem o esforço defensivo de quem passou metade do jogo a aguentar pressão alheia.
O palpite `btts_yes` falhou. A Chapecoense cumpriu a sua metade do contrato - marcou os dois golos que a obrigação táctica exigia -, mas o Botafogo, apesar de oito remates à baliza e de uma posse esmagadora, não conseguiu furar a defesa adversária. O 2-0 invalida o mercado e contraria precisamente a leitura editorial que sublinhava o histórico ofensivo carioca e a fragilidade defensiva catarinense. A eliminatória, essa, fica refeita: a Chapecoense forçou o desempate e devolveu a noite à Arena Condá.
Ambas marcam · loss · resolução automática 2h após o final