Ceará procura reviravolta diante de um Atlético-MG lançado
Depois do 2-1 sofrido no Mineirão, o Vozão recebe os mineiros com a obrigação de vencer para forçar o prolongamento.
Depois do 2-1 sofrido no Mineirão, o Vozão recebe os mineiros com a obrigação de vencer para forçar o prolongamento.
Com o Ceará empurrado para o ataque pela desvantagem da primeira mão e o Atlético-MG a marcar com regularidade nos últimos jogos, ambas as equipas a marcar surge como o cenário mais coerente.
A eliminatória chega à segunda mão com vantagem para o Atlético-MG, que venceu por 2-1 em casa há três semanas. O Ceará apresenta-se agora obrigado a desequilibrar o confronto, sabendo que qualquer empate confirma o adeus à prova. O Atlético, esse, joga em modo de gestão: chega-lhe controlar para selar o apuramento aos oitavos.
A leitura do momento de cada equipa é, contudo, contrastante. O Ceará vem de uma derrota precisamente diante deste adversário, antecedida por um empate sem golos em São Bernardo e duas vitórias tangenciais frente a Maranhão e Primavera-SP. São jogos de baixa produção ofensiva: nos últimos quatro encontros, a equipa cearense marcou apenas quatro golos, e nenhum dos resultados ultrapassou as três bolas no marcador. É uma equipa que vive em margens estreitas, que decide jogos por detalhes, e que não tem mostrado capacidade de impor ritmo alto durante 90 minutos.
O Atlético-MG, em contrapartida, chega ao Castelão com indicadores mais saudáveis. Venceu o Mirassol por 3-1 em casa no fim de semana passado, empatou 1-1 com o Botafogo e 2-2 com o Juventud, na Sul-Americana. A produção ofensiva é constante, mas a defesa também tem cedido: três dos últimos quatro jogos com golos sofridos. Cassierra, com um golo e uma assistência em apenas dois jogos, é a referência que pode desbloquear espaços contra uma equipa que, à partida, sairá para o ataque.
A ausência de onzes confirmados deixa em aberto a configuração táctica, mas o contexto da eliminatória empurra o Ceará para uma postura mais agressiva do que aquela a que se habituou nas últimas semanas. Vinicius Zanocelo, no meio-campo, será peça importante na construção, ainda que os três cartões amarelos em três jogos sugiram que terá de medir a entrada nos duelos — um quarto amarelo num jogo decisivo seria custoso. Do lado mineiro, atenção ao estatuto disciplinar de Mamady Cissé, que viu um vermelho no único jogo em que participou nesta contagem; se for opção, terá de jogar com cautela perante a arbitragem de M. Delgado.
O ponto de tensão táctica está aqui: o Ceará precisa de marcar pelo menos uma vez para sonhar com o prolongamento, e duas para passar nos 90 minutos. Mas a sua média goleadora recente não sustenta esse cenário com facilidade. Atrás, terá de subir linhas, e isso abre corredores ao contra-ataque mineiro, onde o Atlético tem qualidade individual suficiente para resolver. Éder, com cinco jogos e dois amarelos, lidera uma defesa que não tem sido permeável, mas que raramente foi testada por um ataque do calibre do atleticano.
O cenário mais provável é, por isso, um jogo aberto na primeira parte, com o Ceará a pressionar e o Atlético a explorar transições. Um golo cedo dos mineiros praticamente fechava a eliminatória; um golo cedo do Vozão, esse, abriria a porta a uma segunda parte tensa. Em qualquer dos casos, a presença de golos dos dois lados parece o desfecho mais coerente com o que se viu na primeira mão (2-1) e com a forma defensiva recente do Atlético.
O palpite editorial vai precisamente nesse sentido. Com o Ceará empurrado para o ataque e o Atlético-MG a marcar com regularidade nos últimos compromissos, ambas as equipas a marcar surge como o mercado de melhor fundamento. A confiança é moderada — o Ceará tem produção ofensiva limitada —, mas a obrigação de procurar o resultado deve forçar abertura.
Vitória do Ceará por 2-1 nos 90 minutos, com o intervalo já a marcar 2-0, mas o apuramento sorriu ao Atlético-MG nas grandes penalidades (2-4). O Vozão cumpriu a primeira parte da missão — reverter o 2-1 da primeira mão e forçar o desempate — mas viu os mineiros aguentar o golpe na etapa complementar, reduzir e levar a eliminatória para a marca dos onze metros, onde foram superiores.
Os números da partida traduzem bem o desequilíbrio territorial. O Ceará dominou em posse (53%) e foi avassalador na produção ofensiva: 14 remates contra apenas 4, e cinco enquadrados contra um. É o retrato de uma equipa que se libertou do conservadorismo das últimas semanas e impôs o ritmo alto que a antevisão duvidava que conseguisse sustentar. O Atlético, por seu turno, viveu o jogo em registo de contenção, com o cartão vermelho a complicar-lhe ainda mais a tarefa — três amarelos e uma expulsão dizem muito sobre o desgaste defensivo a que foi sujeito.
A leitura editorial é dupla. O Vozão venceu o jogo no plano competitivo e no plano do mérito; o Atlético-MG resolveu-o na frieza dos penáltis, onde a vantagem da primeira mão deixou de pesar e onde a inferioridade numérica do prolongamento se tornou irrelevante. É um desfecho duro para quem fez por passar nos 120 minutos, mas a Copa do Brasil tem destas crueldades — e a eficácia mineira na marca dos onze metros (4 em 4 ou perto disso) decidiu uma eliminatória que, no relvado, esteve mais perto de cair para o lado contrário.
O palpite `btts_yes` confirmou-se. Houve golos dos dois lados nos 90 minutos (2-1), exactamente o cenário traçado: Ceará empurrado para o ataque a desequilibrar, Atlético-MG a manter a regularidade goleadora que vinha demonstrando. A tese resistiu ao teste do jogo, ainda que o apuramento tenha seguido caminho oposto ao do marcador regulamentar. Confiança de 6/10 bem dimensionada e mercado fechado com ganho.
Ambas marcam · win · resolução automática 2h após o final